Idoso amarrado em clínica de Anadia é entregue à família
Justiça proibiu o uso de cordas, algemas e outras formas de contenção na entidade
5 de setembro de 2026 às 11:35 · Anadia

Um idoso encontrado amarrado a uma cama durante fiscalização em uma clínica de reabilitação em Anadia foi desinternado e entregue à família. O Ministério Público de Alagoas informou que a liberação ocorreu depois de a entidade atender a uma recomendação de desinternação feita pelo órgão em 02/09/2026.
O paciente estava entre as pessoas encontradas na entidade que se apresenta como Comunidade Terapêutica Jesus Te Ama. Durante a fiscalização, o MPAL constatou situações consideradas graves, entre elas pessoas amarradas, condições inadequadas de acomodação e problemas na alimentação e no atendimento dos internos.
Após a inspeção, o MPAL recomendou a desinternação imediata do idoso e requisitou documentos sobre o funcionamento da entidade e sobre os pacientes atendidos. Como a recomendação não foi cumprida de imediato, o órgão ajuizou uma Ação Civil Pública para proteger o paciente e os demais internos.
Na ação, as promotoras de Justiça Viviane Farias, Micheline Tenório e Alexandra Beurlen apontaram possíveis violações de direitos humanos e questionaram as condições de funcionamento do estabelecimento.
Segundo o MPAL, o paciente foi posteriormente localizado e entregue à família pela própria entidade. A informação foi confirmada ao Ministério Público pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) do município.
A Justiça reconheceu a existência de violações de direitos humanos e determinou que a clínica cesse imediatamente qualquer forma de contenção física. A decisão proibiu o uso de cordas, ataduras improvisadas, algemas e outras formas de contenção.
A Justiça também determinou a preservação de prontuários, registros eletrônicos e imagens das câmeras de segurança do estabelecimento.
O Município de Anadia recebeu determinações relacionadas ao acompanhamento do caso, incluindo a busca por familiares e a adoção de medidas para evitar uma eventual alta sem assistência adequada.
O MPAL informou ainda que requisitou a instauração de inquérito policial para apurar a contenção do idoso. A atuação no caso continuará para verificar se a entidade atende às exigências legais para permanecer em funcionamento.