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Atacante do Grêmio pagou R$ 22 mil a golpista que imitava técnico

Suspeito foi preso preventivamente no Rio de Janeiro nesta quarta-feira (2) e integrava grupo que usava perfis falsos para aplicar golpes em atletas.

2 de setembro de 2026 às 11:30 · Porto Alegre

Atacante do Grêmio transferiu R$ 22 mil para golpista que se passava por treinador

O atacante colombiano José Enamorado, do Grêmio, transferiu R$ 22 mil para um golpista que se passava pelo técnico Luís Castro. O suspeito foi preso preventivamente nesta quarta-feira (2), no Rio de Janeiro.

A prisão faz parte da Operação Falso 9, conduzida pela 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre com apoio da Polícia Civil do Rio de Janeiro. O suspeito é investigado pelos crimes de estelionato mediante fraude eletrônica e falsa identidade.

Segundo a polícia, o homem integrava um grupo que usava perfis falsos em aplicativos de mensagens para se passar por Luís Castro, técnico português do Grêmio. Jogadores do clube e de outras equipes eram contatados com pedidos de doação de cestas básicas.

Procurado, o Grêmio informou que não vai se manifestar, por se tratar de uma questão pessoal do atleta.

A apuração da RBS TV confirmou que o zagueiro Walter Kannemann, também do Grêmio, recebeu contato do golpista, mas suspeitou e procurou a polícia. O ex-jogador Andrés D'Alessandro também foi contatado, mas a situação já estava sendo monitorada pela polícia e não resultou em pagamento.

Também foram identificados como alvo jogadores e personalidades ligados a clubes de outros estados, a uma equipe do futebol europeu e a um artista de projeção nacional.

A investigação começou depois que a polícia recebeu denúncia de que um suspeito havia contatado, pelo WhatsApp, quatro atletas. Ele usava uma foto do técnico do time para se passar por ele e instruía os jogadores a chegarem mais cedo ao centro de treinamento.

Com um dos atletas, o falso técnico manteve conversa por vários dias. Ele questionava sobre rotina, família e desempenho nos treinos, além de elogiar a dedicação do jogador.

Em determinado momento, pediu que o atleta não comentasse o contato com os demais, numa tentativa de isolar a vítima e evitar que o golpe fosse descoberto.

Depois, fez o pedido financeiro, alegando que o valor seria destinado a um grupo social do Rio de Janeiro, por meio de doação de cestas básicas. O pedido foi de 300 cestas, a R$ 75 cada, totalizando R$ 22,5 mil.

No dia 6 de maio deste ano, o golpista enviou uma chave PIX aleatória, informando pertencer a uma suposta responsável pela instituição, e orientou o atleta a efetuar o pagamento.

Uma primeira tentativa de transferência foi barrada pelo limite diário de movimentação bancária da vítima. O golpista reagendou o pagamento para a manhã seguinte e pediu, mais uma vez, sigilo.

No dia seguinte, a transferência foi efetivada via PIX. Depois, o suspeito enviou ao atleta uma suposta confirmação de recebimento das cestas por parte da instituição, encerrando essa etapa da fraude.

Ainda no mesmo dia, o golpista tentou ampliar o prejuízo. Informou à vítima que outro atleta, supostamente impossibilitado de responder por causa do fuso horário, também queria contribuir, com 600 cestas básicas, equivalentes a R$ 50 mil, e pediu que o jogador adiantasse o valor, com promessa de ressarcimento posterior.

Para reforçar a legitimidade do pedido e pressionar a vítima, o suspeito chegou a mencionar a colaboração de outros atletas do time. A nova transferência não se concretizou, pois também excedeu o limite diário de movimentação financeira da vítima, o que interrompeu a sequência de golpes.

Fonte: Alagoas 24 Horas