Confiança do comércio de Maceió recua 1,9% em agosto
Índice caiu de 105,9 para 103,9 pontos, mas segue acima da linha de otimismo, aponta Fecomércio AL
10 de setembro de 2026 às 15:11 · Maceió

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) de Maceió recuou 1,9% em agosto, saindo de 105,9 para 103,9 pontos. Mesmo com a queda, o indicador permaneceu acima dos 100 pontos, patamar que indica confiança dos empresários.
Os dados fazem parte de pesquisa divulgada nesta quinta-feira (10), realizada pelo Instituto Fecomércio AL em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O resultado reúne sinais opostos. A percepção sobre as condições atuais dos negócios piorou, enquanto as expectativas para os próximos meses avançaram 0,6%, chegando a 136 pontos.
Para o assessor econômico do Instituto Fecomércio AL, Lucas Sorgato, o empresário reconhece as dificuldades atuais, mas não acredita que vão se prolongar.
Entre os subindicadores que compõem o Icec, o Índice de Condições Atuais do Empresário do Comércio (ICAEC) foi o principal responsável pelo recuo de agosto. Ele caiu 6,8%, chegando a 73,3 pontos.
A Condição Atual da Economia marcou 56,6 pontos. A Condição Atual do Setor chegou a 68,2 pontos, uma retração de 10,7%. Já a percepção sobre a própria empresa caiu 6,6%, passando de 102 para 95,2 pontos.
Com isso, pela primeira vez após um período de relativa estabilidade, a avaliação negativa do ambiente econômico passou a atingir de forma mais direta o desempenho dos próprios negócios.
Segundo Sorgato, nos meses anteriores o empresário conseguia separar a situação macroeconômica do desempenho da própria empresa. Em agosto, essa diferença diminuiu.
A percepção negativa também aparece na avaliação da economia em geral. Somando quem acredita que as condições pioraram um pouco ou pioraram muito, 74,4% dos empresários identificam deterioração do cenário econômico.
Na análise por porte, as empresas com até 50 empregados apresentaram comportamento semelhante ao indicador geral, saindo de 105,9 pontos em julho para 103,8 em agosto.
Nos estabelecimentos com mais de 50 empregados, a direção foi oposta: o índice avançou de aproximadamente 102,6 para 109,6 pontos.
Para o economista, a queda do indicador agregado foi influenciada principalmente pelos negócios de menor porte, que têm participação significativa na estrutura comercial de Maceió e são mais sensíveis a oscilações no fluxo de consumidores, nos custos operacionais e no capital de giro.
Sorgato observa que as empresas maiores possuem maior capacidade de planejamento, diversificação das vendas e acesso a capital, fatores que ajudam a explicar uma percepção mais favorável neste momento.
Apesar da piora na percepção sobre o presente, o empresário mantém avaliação favorável para os próximos meses. O Índice de Expectativas do Empresário do Comércio (IEEC) avançou 0,6%, alcançando 136 pontos.
A expectativa em relação à economia chegou a 118,4 pontos, enquanto a expectativa para o setor alcançou 136,4 pontos. Cerca de 85% dos empresários esperam algum grau de melhora nas condições de suas empresas.
Entre os estabelecimentos com mais de 50 empregados, o índice de expectativas chega a 172,2 pontos.
Para Sorgato, o resultado indica que o empresariado já começa a olhar para o ciclo comercial mais importante do ano, quando o comércio entra no período de preparação para datas como Dia das Crianças, Black Friday e Natal.