Governo negocia ingressos populares para a Copa Feminina de 2027
Proposta discutida com a Fifa prevê pacotes familiares e desconto para públicos prioritários.
9 de setembro de 2026 às 17:00

A nove meses do início da Copa do Mundo Feminina de 2027, o Governo Federal negocia com a Fifa a criação de uma cota de ingressos com preços populares para o torneio. A proposta busca ampliar o acesso da população brasileira aos estádios e garantir arquibancadas cheias durante a competição, que será realizada pela primeira vez no Brasil.
A informação foi confirmada por Juliana Agatte, secretária extraordinária para a Copa do Ministério do Esporte. Segundo ela, a Fifa tem demonstrado abertura para discutir uma política de ingressos que considere a realidade econômica do público brasileiro.
Além da possibilidade de ingressos sociais, o governo também discute pacotes familiares. A legislação da Copa já garante 50% de desconto para grupos como idosos, pessoas com deficiência, jovens e pessoas de baixa renda.
Para Juliana Agatte, democratizar o acesso aos jogos é uma das principais prioridades do poder público. A intenção é permitir que diferentes públicos acompanhem a competição presencialmente.
A secretária destacou que a política de transporte também será importante nesse processo. Municípios das cidades sede discutem a possibilidade de oferecer passe livre ou condições especiais de transporte para torcedores com ingresso para as partidas.
A Fifa trabalha com a expectativa de mais de 2 milhões de torcedores durante o Mundial, sendo aproximadamente 10% deles turistas estrangeiros.
O governo também pretende aproveitar o torneio para estimular o turismo e gerar impactos econômicos no país. Um estudo encomendado pela Embratur à Fundação Getulio Vargas estima a geração de 73 mil empregos diretos e indiretos relacionados ao evento. A movimentação financeira projetada chega a R$ 8,8 bilhões.
Além da realização dos jogos, o governo pretende usar o Mundial como ferramenta para ampliar a participação de meninas e mulheres no esporte. A estratégia envolve ações de formação de atletas, profissionalização, presença feminina na gestão esportiva, segurança e combate à violência e ao racismo.
Outro ponto defendido pela Secretaria Extraordinária para a Copa é a paralisação do calendário do futebol brasileiro durante o Mundial. A medida já era prevista desde a candidatura do Brasil, em 2023, e foi confirmada pela CBF.
Apesar da crise política que envolve a Fifa e o presidente Gianni Infantino, o governo brasileiro acredita que o cenário não deve comprometer a realização da Copa. A entidade enfrenta pressão após conflitos com confederações e discussões sobre sua governança.
Mesmo assim, o calendário do Mundial segue avançando, com o sorteio dos grupos marcado para 11 de dezembro e outras etapas de organização em andamento.
Juliana Agatte afirmou que a expectativa é que a Fifa consiga "blindar" a organização do torneio dessas disputas políticas e garantir a presença das seleções participantes no Brasil.
A Copa do Mundo Feminina de 2027 será disputada em oito cidades sede e terá início em junho, com a final marcada para 25 de julho.
Para o governo, o objetivo é que o evento deixe um legado que vá além dos jogos e contribua para o crescimento do futebol feminino no país.