Ex-gerente do Rioprevidência anotou previsão sobre delação de Vorcaro
PF apreendeu cinco cadernos da ex-dirigente durante buscas realizadas em maio deste ano
12 de setembro de 2026 às 14:23 · Rio de Janeiro

Fernanda Pereira da Silva Machado, ex-gerente de Controle Interno e Auditoria do Rioprevidência e depois presidente do Itaprevi (Instituto de Previdência de Itaguaí), escreveu em um dos cadernos apreendidos pela Polícia Federal que Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, estaria "f*dido" caso apresentasse uma delação premiada inverídica.
Em outra anotação, ela registrou: "Chance de Daniel falar aumentou muito e se ele falar e não bater, ele tá f*dido".
As anotações fazem parte do material apreendido pela PF durante buscas realizadas em maio deste ano. Ao todo, foram confiscados cinco cadernos da ex-gerente.
O sigilo dessas informações foi retirado pelo ministro André Mendonça, do STF, na noite de sexta-feira (11).
Na residência de Fernanda, os investigadores apreenderam celulares, tablet, notebook, pen drives, folhas avulsas e diversos cadernos. Segundo o relatório da PF, parte desses registros manuscritos "aparentam ter relação direta com os fatos apurados" na investigação.
Em uma das páginas, Fernanda anotou tópicos sobre credenciamento de instituições financeiras e questionou: "O que é o credenciamento?". Em outra, escreveu sobre a necessidade de "pedido de acesso ao IPL" e fez referências a "ofício ao TC", "ofício ao liquidante" e "notícia criada pela super" envolvendo o Banco Master. As páginas integram o caderno azul apreendido pela PF.
Fernanda ocupava a Gerência de Controle Interno e Auditoria do Rioprevidência, fundo responsável pelas aposentadorias e pensões dos servidores estaduais do Rio de Janeiro. A PF a coloca no núcleo de dirigentes que teriam viabilizado os investimentos do fundo no Banco Master durante o governo de Cláudio Castro.
Entre outubro de 2023 e outubro de 2025, segundo a investigação, a autarquia realizou cerca de R$ 3,7 bilhões em aplicações em Letras Financeiras e fundos estruturados ligados ao banco de Vorcaro.
Os investigadores apontam que Castro promoveu alterações em postos estratégicos da autarquia pouco antes do início dos aportes no Master. A investigação sustenta que a proximidade do então governador com Vorcaro teria criado o "alinhamento político" necessário para os investimentos e para a colocação de dirigentes em cargos chave do fundo.
Fernanda fazia parte desse grupo de dirigentes apontado pela corporação. Ao lado dela aparecem Deivis Marcon Antunes, então presidente do Rioprevidência; Eucherio Lerner Rodrigues, diretor de Investimentos; e Pedro Pinheiro Guerra Leal, gerente de Operações e Investimentos.
A defesa de Fernanda Pereira da Silva Machado afirmou que as anotações divulgadas estão inseridas no contexto de suas atividades profissionais à época em que ela exercia funções de Controle Interno e Auditoria no Rioprevidência. Segundo a defesa, os registros envolviam o acompanhamento de procedimentos e demandas de órgãos de controle.
A nota da defesa afirma ainda que "registros fragmentados e informais não podem ser interpretados isoladamente, nem lhes pode ser atribuído sentido ou finalidade sem a necessária contextualização".
A defesa ressalta que a busca e apreensão ocorreu aproximadamente dois anos após o desligamento de Fernanda do Rioprevidência. Ela já informou às autoridades que permanece à disposição para prestar esclarecimentos no momento processual adequado.