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Exame de DNA reforça suspeita contra tio-avô de menino morto em Maceió

Laudo aponta que é 2,67 bilhões de vezes mais provável que o material seja do acusado do que de um desconhecido.

3 de setembro de 2026 às 11:11 · Maceió

Exame de DNA reforça acusação de abuso sexual contra tio-avô de menino morto em Maceió

Um exame de DNA feito pelo Laboratório de Genética Forense da Polícia Científica de Alagoas apontou forte compatibilidade entre o perfil genético do tio-avô acusado de estuprar e matar Peterson Ykaro Gomes Cardoso, de 6 anos, e o material biológico usado na investigação.

De acordo com o laudo, é 2,67 bilhões de vezes mais provável que a mistura de perfis genéticos encontrada na amostra pertença à vítima e ao acusado do que à vítima e a um segundo indivíduo desconhecido, escolhido aleatoriamente na população brasileira.

O resultado reforça, do ponto de vista científico, a suspeita de que o menino sofreu violência sexual antes de ser morto.

Peterson foi encontrado morto no dia 6 de julho, no bairro Cidade Universitária, na parte alta de Maceió.

O caso é investigado pela Delegacia de Combate aos Crimes contra a Criança e ao Adolescente (DCCCA), sob responsabilidade da delegada Talita Aquino.

Para fazer o exame, o perito criminal analisou amostras biológicas de referência e materiais questionados ligados ao caso. Entre os materiais estavam a amostra genética da vítima e uma amostra de referência do acusado, coletada por um perito enquanto ele estava preso na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Segundo o perito Omena, as amostras questionadas apresentaram um perfil genético masculino compatível com o do acusado.

"O exame identificou nas amostras questionadas um perfil genético masculino compatível com o perfil do acusado. O resultado, associado às análises estatísticas, fornece um importante elemento científico para a investigação", afirmou o perito.

A análise genética passa a integrar o conjunto de elementos reunidos durante a investigação e deverá ser anexada ao processo judicial.

Um dos diferenciais da perícia foi o uso de um novo reagente pelo Laboratório de Genética Forense. A substância separa células espermáticas e não espermáticas, o que permite analisar de forma mais específica os diferentes componentes celulares presentes em uma mesma amostra.

Segundo a chefe do laboratório, perita criminal Bárbara Fonseca, a técnica ajuda a direcionar melhor a análise do material coletado e aumenta a chance de obter perfis genéticos em investigações de crimes sexuais. A metodologia é especialmente útil quando uma mesma amostra contém material biológico de mais de uma pessoa.

"A utilização do novo reagente representa um avanço no trabalho desenvolvido pelo Laboratório de Genética Forense e reforça a importância da aplicação de novas metodologias para a produção de provas científicas cada vez mais precisas", explicou Bárbara Fonseca.

O tio-avô foi denunciado pelo Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) pelos crimes de estupro de vulnerável e homicídio qualificado.

Segundo a acusação, o homicídio foi cometido por asfixia, com o objetivo de ocultar o crime sexual e dificultar a defesa da vítima.

Com a conclusão do exame, o laudo foi encaminhado à autoridade policial e deverá ser incorporado aos autos do processo.

A investigação segue sob responsabilidade da DCCCA, que reúne os elementos necessários para esclarecer as circunstâncias da morte de Peterson e subsidiar o processo judicial.

Fonte: Sertão na Hora