AL24
geral

Família de professora morta no Rio acusa hospital de negligência

Giulia, de 26 anos, recebeu alta duas vezes com diagnóstico de crise de ansiedade antes de morrer por tamponamento cardíaco

2 de setembro de 2026 às 17:21 · Rio de Janeiro

Família de mulher morta após hospital diagnosticar crise de ansiedade pede justiça: ‘Não cumpriram os protocolos'

Giulia Silva de Araújo, professora de história de 26 anos, morreu horas depois de receber alta pela segunda vez do Hospital Municipal Francisco da Silva Telles, em Irajá, na Zona Norte do Rio, no dia 28 de agosto. O atestado de óbito apontou tamponamento cardíaco como causa da morte.

A família cobra explicações e acusa a unidade de negligência. Segundo os parentes, nenhum representante do hospital procurou Giulia ou os familiares para esclarecer o caso.

Fabiana Bezerra, irmã de Giulia e profissional da área de saúde, afirmou que o hospital não seguiu os protocolos adequados de atendimento.

De acordo com a família, Giulia deu entrada no hospital por volta das 8h com forte dor no peito e falta de ar. Ela recebeu alta com diagnóstico de crise de ansiedade.

Por volta das 11h, Giulia retornou à mesma unidade. Segundo Fabiana, a equipe médica fez novos exames e liberou a paciente novamente com o mesmo diagnóstico.

Fabiana contou que conversou por telefone com a irmã enquanto ela esperava atendimento. Giulia relatava dores fortes e preocupação com a própria saúde.

Ainda segundo a irmã, Giulia piorou ao chegar em casa e foi levada pela família a outro hospital, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

O advogado da família, Luan Fernandes, afirmou que os indícios de negligência médica são robustos, principalmente na segunda alta dada a Giulia.

O g1 teve acesso aos dois boletins de atendimento de Giulia no Hospital Municipal Francisco da Silva Telles. Os documentos registram queixa de dor torácica ao respirar e indicam que todos os exames realizados ficaram dentro da normalidade.

O segundo boletim informa que a paciente estava com 100% de saturação em ar ambiente e ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio informou que Giulia foi atendida imediatamente e recebeu todos os cuidados indicados para o quadro, incluindo os exames de protocolo para diagnóstico de quadros cardíacos agudos.

Segundo a pasta, os exames de frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial, temperatura e saturação de oxigênio apresentaram resultados normais. A paciente também passou por eletrocardiograma, que não indicou alteração.

A nota detalha que Giulia deu entrada na emergência às 8h32 do dia 28 com dor no peito e recebeu alta após os exames dentro da normalidade. Às 11h14, retornou à unidade e foi atendida novamente.

Diante da persistência dos sintomas, a equipe repetiu os exames do primeiro atendimento e prescreveu hemograma completo e radiografia de tórax, que também não apontaram alterações. Giulia recebeu medicação, ficou em observação e foi reavaliada às 13h19, quando teve nova alta com orientações.

O Hospital Municipal Francisco da Silva Telles afirmou lamentar o falecimento de Giulia e disse ter prestado toda a assistência de acordo com o quadro clínico apresentado em cada avaliação. A direção da unidade informou que segue à disposição da família para mais esclarecimentos.

A Prefeitura de Duque de Caxias, por meio da Secretaria Municipal de Saúde e da direção do Hospital Municipal Dr. Moacyr Rodrigues do Carmo, informou que Giulia deu entrada na unidade às 16h58 do dia 28 já em parada cardiorrespiratória.

Segundo a prefeitura, a equipe de emergência tentou manobras de ressuscitação cardiopulmonar, sem sucesso. O óbito foi confirmado às 17h25. O caso foi registrado na delegacia e o corpo foi encaminhado ao IML para determinar a causa da morte.

A família registrou boletim de ocorrência. A Polícia Civil informou que o caso é investigado pela 59ª DP, de Duque de Caxias, e que diligências estão em andamento para apurar as circunstâncias da morte de Giulia.

Fonte: Alagoas 24 Horas