Fiscalização encontra tortura em clínica de reabilitação em Anadia
MPAL, MPT, Polícia Federal e outros órgãos confirmam maus-tratos e exploração de trabalho na Comunidade Jesus Te Ama
31 de agosto de 2026 às 15:12 · Anadia

Uma força-tarefa liderada pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL) constatou nesta segunda-feira, 31, casos de maus-tratos, tortura e insalubridade na clínica de reabilitação Comunidade Jesus Te Ama, em Anadia.
A fiscalização ocorreu depois de denúncias anônimas recebidas pela Ouvidoria do MPAL.
A operação reuniu agentes do MPAL, do Ministério Público do Trabalho (MPT), da Superintendência Regional do Trabalho, da Polícia Federal, da Vigilância Sanitária e do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas).
A equipe vistoriou os alojamentos da clínica e confirmou integralmente as denúncias recebidas.
Os agentes encontraram pacientes em condições degradantes, privados de refeições e dopados pelo uso abusivo de medicamentos.
A fiscalização apontou atendimento inadequado a pessoas com deficiência física, deficiência mental e transtornos psiquiátricos.
A equipe também encontrou alimentos estragados servidos aos residentes.
A promotora de justiça Viviane Farias classificou a situação encontrada no local como grave.
A fiscalização revelou métodos de contenção considerados cruéis, aplicados a pacientes tidos como agitados, sem qualquer acompanhamento médico ou sanitário.
Os auditores identificaram ainda que a clínica usava a mão de obra dos próprios internos em obras de construção e reforma nas instalações, sem nenhum pagamento.
O MPT não classificou formalmente a situação como trabalho escravo, mas confirmou a exploração e a ausência de remuneração aos pacientes.
A promotoria confirmou que vai ajuizar uma ação civil pública contra os proprietários e administradores do estabelecimento.
A Vigilância Sanitária se comprometeu a interditar parcialmente o local.
A promotora explicou que a clínica não foi fechada porque antes será necessário articular a realocação dos residentes.
Nenhuma prisão foi feita porque o proprietário do estabelecimento não estava no local no momento da fiscalização, apenas funcionários.