PF diz que Jaques Wagner se recusou a liberar senha de celulares
Relatório da corporação também detalha apreensão de dinheiro e relógios de luxo na casa do senador, em Salvador
12 de setembro de 2026 às 14:44 · Salvador

O senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo Lula no Senado, se recusou a fornecer à Polícia Federal as senhas de dois celulares apreendidos em sua casa, em Salvador, em 18 de junho. A informação consta em relatório da corporação.
O documento foi divulgado nesta sexta-feira (11), depois que o ministro André Mendonça, do STF, ampliou a retirada de sigilo de processos ligados ao caso Master. A decisão atendeu a um pedido da PGR.
Segundo o relatório, os agentes recolheram logo no início da busca um celular Samsung preto e outro aparelho branco.
A busca foi cumprida na 9ª fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes financeiros envolvendo o Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro.
No caso de Wagner, a PF investiga a relação do senador com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro. A corporação apura se o parlamentar recebeu vantagens indevidas de empresários e estruturas ligadas ao banco.
Entre os episódios sob análise estão viagens em aeronaves particulares, ingressos para shows e a negociação de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador.
Durante a diligência, a PF também apreendeu R$ 16,5 mil, US$ 16.795 e € 39.675 em espécie, além de diversos relógios de luxo. Parte do dinheiro estava em uma mala atribuída ao senador e outra parte em um cofre no closet de sua mulher.
Segundo a PF, Wagner afirmou que os valores eram usados em viagens. Sobre os relógios, disse que os adquiriu ao longo dos anos, mas não apresentou notas fiscais dos bens durante a busca.
A CNN procurou a defesa de Jaques Wagner para comentar as informações, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.