Mendonça revoga prisão do filho do 'Careca do INSS'
PF diz que Romeu Antunes virou o principal operador administrativo do esquema após a prisão do pai.
9 de setembro de 2026 às 17:40

O ministro André Mendonça revogou a prisão de Romeu Carvalho Antunes, filho do investigado conhecido como "Careca do INSS". Romeu foi preso na Operação Sem Desconto, que apura fraudes em benefícios do INSS.
Segundo a Polícia Federal, Romeu passou a atuar como sucessor do pai, tornando-se o operador administrativo da organização criminosa investigada.
Mendonça substituiu a prisão por monitoração eletrônica. O ministro também proibiu Romeu de manter contato, direto ou indireto e por qualquer meio, com os demais investigados e com as testemunhas da Operação Sem Desconto.
Romeu foi preso em dezembro de 2025.
De acordo com a Polícia Federal, após o início das investigações e o desgaste em torno do pai, Romeu assumiu papel estratégico e se tornou o principal operador administrativo da organização. Ele também teria atuado em operações de lavagem de dinheiro e na criação de novas empresas de fachada.
"Romeu dolosamente (de forma intencional) descumpria restrição judicial imposta ao pai, haja vista que servia de ponte para a comunicação entre Antônio e investigados", disse a PF.
Entre as ações atribuídas a Romeu, a PF cita movimentação de recursos em espécie retirados de cofres, com referência a "peguei 360 no cofre". Ele também teria comandado reuniões com notários nos Estados Unidos, aberto novas empresas para substituir entidades comprometidas e organizado quadros de funcionários.
A Polícia Federal afirma que Romeu passou a integrar diretamente empresas ligadas ao pai, tornando-se sócio de pelo menos quatro negócios e participando indiretamente de outros três.
Para os investigadores, essas empresas eram usadas para movimentar recursos das fraudes e para repassar valores a pessoas e entidades ligadas a servidores do INSS.
A PF aponta ainda que a renda de Romeu teve crescimento considerado incompatível com sua trajetória profissional entre dezembro de 2023 e fevereiro de 2024. Os ganhos mensais teriam saltado de R$ 1,6 mil para R$ 107,6 mil, aumento de 63 vezes, coincidindo com a entrada dele nas sociedades empresariais do pai.
Na terça-feira (8), Mendonça também determinou a soltura do ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, indiciado pela PF pelo esquema de desvios em aposentadorias envolvendo a autarquia.
O ministro determinou que Virgílio use tornozeleira eletrônica e cumpra outras restrições impostas pela Justiça, como proibição de contato com outros investigados e proibição de acesso a qualquer entidade associativa ou às instalações e dependências do INSS ou da Dataprev.
O ex-procurador foi preso em novembro do ano passado.
As investigações da PF apontam que ele recebeu, por meio de empresas e contas bancárias da esposa, R$ 11,9 milhões de firmas relacionadas às associações investigadas por descontos irregulares em aposentadorias.
Na decisão, Mendonça afirmou que a prisão não se justificaria mais no atual momento da investigação.
"Nessas condições, Virgílio não estará, na atual fase da investigação, em condições objetivas de retomar as atividades ilícitas que lhe são imputadas, pois estará simultaneamente impedido de manter contato com os demais investigados e testemunhas, afastado dos ambientes institucionais relacionados à dinâmica investigada, proibido de deixar o país e submetido à fiscalização permanente decorrente da monitoração eletrônica", escreveu o ministro.
Para Mendonça, "independentemente do alcance que venha a ser conferido" ao indiciamento feito pela PF, "é certo que a fase investigativa relevante para a avaliação da situação pessoal de VIRGÍLIO avançou significativamente".
Em outras decisões, Mendonça determinou a substituição da prisão preventiva por tornozeleira eletrônica para Samuel Bomfim Júnior, contador da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) e apontado como operador financeiro do esquema.
O ministro também revogou o uso de tornozeleira eletrônica para Pedro Corrêa Neto, ex-secretário da Agricultura; José Carlos Oliveira, ex-ministro da Previdência Social do governo Bolsonaro, também conhecido como Ahmed Mohamad Oliveira; e Gilmar Stelo, advogado.
Segundo o ministro, nesses casos as investigações estão avançadas e não justificam mais as restrições.