Protesto no Jacintinho cobra punição por morte de jovem baleada pela PM
Declarações do advogado do policial ampliaram a tensão entre os familiares da vítima nesta semana
9 de setembro de 2026 às 18:35 · Maceió

Um protesto de familiares e amigos de Amanda Rhuanny Lopes da Silva, de 32 anos, parou parcialmente o trânsito na Rua Cleto Campelo, principal via do bairro do Jacintinho, em Maceió, no final da tarde desta quarta-feira, 9.
Os manifestantes contestam a versão da Polícia Militar sobre a morte da jovem, ocorrida durante uma abordagem no último sábado, 5, e cobram punição para o policial envolvido.
Amanda foi atingida por um tiro no peito durante a ação. A Polícia Militar afirma que o agente reagiu depois que a jovem e outras mulheres avançaram contra a guarnição na tentativa de tomar sua arma.
A família rebate essa versão e classifica o episódio como crime.
Em entrevista à TV Pajuçara, Marcos, tio de Amanda, questionou a conduta do agente. 'Estão dizendo que foi um acidente, mas não foi acidente, foi um crime', disse ele, ao afirmar que o policial 'agiu de má-fé' e é 'mal treinado'.
Marcos também cobrou explicações sobre o uso da câmera corporal do agente. 'Cadê a câmera peitoral? A câmera peitoral vai dizer que não tem... cadê a porcaria da câmera que ele desligou? Eu queria essa prova', disse.
A tensão entre os parentes da vítima aumentou depois de publicações feitas nas redes sociais na terça-feira, 8, pelo advogado do policial, Napoleão Lima Júnior.
O defensor questionou o histórico da vítima e defendeu o uso de força letal pelas forças de segurança. 'O fato é que ela não poderia ter ido para cima do policial. O fato é que ela deveria ter respeitado o comando da polícia', afirmou.
Marcos respondeu às declarações do advogado e criticou a atuação da defesa. 'Eu quero mandar um recado para esse Napoleão, que é advogado: se fosse uma filha sua, você defenderia esse policial?', questionou.
O caso apresenta irregularidades nos trâmites operacionais. Os agentes não registraram o procedimento imediatamente na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), contrariando o protocolo padrão para mortes decorrentes de intervenção policial.
A apuração passou posteriormente para o controle conjunto da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO) e da DHPP.
A Promotoria de Justiça do Ministério Público de Alagoas acompanha os desdobramentos da ocorrência e questiona a permanência do militar no serviço operacional das ruas. Ele já responde a uma denúncia formal por tentativa de homicídio praticada há dois anos.
O Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas recebeu o acionamento para a Rua Cleto Campelo às 17h50 desta quarta-feira, 9. A corporação enviou uma viatura e três militares para debelar o fogo ateado em objetos na via pública.
Inicialmente, apenas uma das faixas da pista permaneceu liberada para a circulação de veículos, o que causou forte lentidão no tráfego da região.
Procurado pela reportagem do Alagoas24Horas, o setor de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar de Alagoas confirmou que acompanhou a situação. Por volta das 18h30, informou que a via já estava sendo liberada, o público dispersado, o fogo extinto e os entulhos recolhidos.