MP denuncia cinco por linchamento de ciclista em Copacabana
Wellington Luiz Santos de Souza, um dos cinco denunciados, ainda está foragido
12 de setembro de 2026 às 15:27 · Copacabana

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou cinco pessoas pelo homicídio qualificado do ciclista Claudio Rafael Landeiro Moreira. Ele foi linchado na madrugada de 12 de agosto, em Copacabana, na zona sul do Rio.
A denúncia foi apresentada pela 2ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Territorial da Área de Botafogo e Copacabana. A Promotoria também pediu à Justiça a prisão preventiva dos cinco acusados.
Segundo a denúncia, Davi Santos Machado, Jorge Luiz Ricardo Dias, Felipe Eduardo dos Santos Silva, Ailton José da Silva e Wellington Luiz Santos de Souza submeteram Claudio a um longo período de agressões, com pauladas, socos e chutes. Ele foi espancado mesmo depois de cair no chão e já não oferecer resistência.
Os cinco homens foram denunciados por homicídio qualificado por motivo fútil, emprego de meio cruel e uso de recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa da vítima. Ao pedir a prisão preventiva, a Promotoria destacou a gravidade do crime e a periculosidade dos denunciados.
Dos cinco denunciados, Wellington Luiz Santos de Souza é o único que está foragido. Outras oito pessoas foram indiciadas pela Polícia Civil por condutas de menor potencial ofensivo relacionadas ao caso, como omissão de socorro, lesão e exercício irregular da profissão de segurança. Esses crimes serão tratados em procedimento próprio.
Segundo o relatório final da 12ª DP, de Copacabana, a violência começou após uma falsa acusação de furto envolvendo a bicicleta que estava com Claudio. A investigação aponta que ele foi cercado e agredido por diferentes pessoas antes de morrer.
De acordo com o inquérito, Davi Santos Machado e os entregadores Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva teriam desferido mais de 30 golpes com um pedaço de madeira, além de socos e chutes contra a vítima. Claudio foi levado para uma rua e ficou acuado na escadaria de um edifício.
A investigação aponta ainda que Wellington Luiz Santos de Souza chegou ao local durante as agressões. Segundo testemunhas, ele perguntou se Claudio era ladrão e, após ouvir uma resposta afirmativa, fez a declaração registrada no inquérito. Na sequência, ainda segundo a apuração, Wellington deu um chute na cabeça da vítima.
O laudo necroscópico apontou que Claudio morreu em decorrência de traumatismo cranioencefálico grave, hemorragia interna e lesões traumáticas no baço e no rim.
A Polícia Civil utilizou imagens do sistema de monitoramento urbano para reconstruir a dinâmica do crime e identificar a participação dos envolvidos. Segundo a investigação, as imagens também mostram os agressores mexendo nos bolsos da vítima e fotografando o corpo depois das agressões.
No dia seguinte ao linchamento, Davi Santos Machado compareceu à delegacia levando a bicicleta usada por Claudio. Em depoimento, ele afirmou que pretendia localizar o proprietário por meio de grupos de WhatsApp.
A investigação, no entanto, concluiu que a bicicleta pertencia à irmã da vítima. A suspeita sobre a procedência do veículo serviu como ponto de partida para a abordagem que terminou no linchamento.