MPAL investiga morte de mulher baleada por PM no Jacintinho, em Maceió
Promotora aponta desvio da apuração para delegacia sem atribuição legal e histórico de denúncia contra o policial envolvido
8 de setembro de 2026 às 15:06 · Maceió

O Ministério Público do Estado de Alagoas abriu investigação para apurar as circunstâncias da morte de Amanda Rhuanny Lopes da Silva, de 32 anos. Ela morreu na noite do último sábado (5), na comunidade Aldeia do Índio, no bairro do Jacintinho, em Maceió.
Amanda foi atingida no peito por um tiro disparado por um policial militar da Força Tática do 13º BPM. Ela chegou a ser levada à Unidade de Pronto Atendimento Dr. Ismar Gatto, mas não resistiu aos ferimentos. A vítima deixa dois filhos.
O caso ganhou contornos de gravidade institucional depois da constatação de inconsistências nos registros oficiais e de decisões administrativas atípicas na condução do inquérito.
A versão da família contrasta com o boletim registrado pela Polícia Militar. Segundo parentes, Amanda teria questionado um agente que insultou um parente com xingamentos. No auge da discussão, o policial teria desligado intencionalmente a câmera corporal antes de atirar contra o peito dela.
O registro policial, por outro lado, afirma que a guarnição detinha o primo da vítima por posse de entorpecentes quando um grupo de mulheres tentou desarmar o militar junto à viatura, levando o a disparar para "proteger a própria integridade física".
A Secretaria de Estado da Segurança Pública também enfrentou questionamentos por omitir a ocorrência de seu relatório diário de imprensa, justificando pendência no término dos procedimentos. A própria Polícia Militar, no entanto, já havia tipificado o fato internamente como "homicídio decorrente de intervenção policial", no BO nº 1565844.
Nesta terça-feira (8), a promotora de Justiça Karla Padilha apontou irregularidades no direcionamento das investigações. A Secretaria de Segurança Pública determinou que a apuração ficasse sob responsabilidade da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, e não da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, órgão com atribuição legal exclusiva para apurar crimes dolosos contra a vida na capital alagoana.
O Ministério Público também levantou que o agente autor do disparo já havia sido denunciado pelo próprio MPAL em 2024 por tentativa de homicídio. Ele acumulava medidas restritivas impostas pelo Poder Judiciário que o impediam de atuar em patrulhamento ostensivo ou integrar escalas na região do Jacintinho.
A Corregedoria da Polícia Militar foi notificada de forma urgente para confirmar se as sanções contra o policial estavam ativas e se ele tinha conhecimento formal da proibição.
A Promotoria do Controle Externo da Atividade Policial reiterou que, após reunir depoimentos de testemunhas, exames periciais e dados operacionais da PM, formalizará os encaminhamentos necessários para responsabilizar eventuais abusos ou ilegalidades cometidas nas esferas policial civil e militar.
Caberá à promotoria de crimes dolosos contra a vida avaliar a apuração final para decidir sobre a denúncia do agente por homicídio.