MPAL flagra maus-tratos em clínica de reabilitação em Anadia
Fiscalização encontrou residentes amarrados por até três dias e trabalhando sem remuneração
31 de agosto de 2026 às 14:21 · Anadia

O Ministério Público de Alagoas (MPAL) realizou, nesta segunda-feira (31), uma inspeção em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos localizada em Anadia, no interior do estado.
A fiscalização atendeu a denúncias encaminhadas à Ouvidoria do órgão.
A promotora responsável classificou a situação como um atropelamento dos direitos e da dignidade humana.
“Deparamo-nos com um local insalubre, descumpridor de todas as ações de proteção e acolhimento. O espaço que deveria cuidar e ajudar os residentes, tratando-os com violência. Havia pessoas amarradas, punidas sem alimentação, caracterizando tortura, quando os familiares pagam mensalidades acreditando que estão sendo recuperadas e isso é inadmissível”, disse a promotora Viviane Farias.
Entre as denúncias apuradas estão o uso abusivo de medicamentos, a presença de pessoas com problemas psiquiátricos e de portadores de deficiência física e mental, além de alimentação estragada.
“Tudo o que chegou ao Ministério Público, via Ouvidoria, foi constatado e precisamos agir para fazer valer os direitos de cada pessoa que lá se encontra”, ressaltou a promotora.
A ação ocorreu na clínica conhecida popularmente como Comunidade Jesus Te Ama.
A denúncia também mencionava trabalho escravo, mas o MPT não caracterizou a prática dessa forma.
Foi constatado, no entanto, que alguns residentes realizam serviços de construção e reforma nas instalações da clínica sem remuneração.
“Outro absurdo, recebemos relatos, in loco, de que lá existe um quarto usado para conter residentes considerados descompensados, muitos permanecendo amarrados por três dias, inclusive, fazendo as necessidades fisiológicas dentro de um balde”, afirmou a promotora, estarrecida.