AL24
geral

MPAL discute atendimento ginecológico a lésbicas e pessoas com útero

Reunião no Instituto da Mama reuniu MPAL, Febrasgo e o movimento Fala, Bolacheira! para discutir práticas de saúde inclusivas

15 de setembro de 2026 às 14:25

MPAL debate atendimento ginecológico para mulheres lésbicas e pessoas com útero

O Ministério Público de Alagoas (MPAL) discutiu, na manhã desta terça-feira (15), a necessidade de aprimorar o atendimento ginecológico e obstétrico voltado a mulheres lésbicas e a outras pessoas com útero. O encontro aconteceu no Instituto da Mama.

Participaram da reunião a promotora de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos, Alexandra Beurlen, o presidente regional da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Alexandre Calado, e representantes do movimento Fala, Bolacheira!, projeto cultural dedicado à memória e à visibilidade de mulheres lésbicas, bissexuais, trans e não binárias em Alagoas.

Durante o encontro, foram discutidas práticas de atendimento na área da ginecologia e obstetrícia voltadas à população LGBTQIA+. Também foram citadas situações relatadas no interior de Alagoas que apontam a necessidade de maior preparação dos profissionais de saúde para lidar com as especificidades de diferentes grupos de mulheres.

Segundo Alexandra Beurlen, a discussão envolveu ainda demandas apresentadas por representantes de movimentos sociais, entre eles organizações indígenas e quilombolas, além da Defensoria Pública, diante de situações de atendimento inadequado identificadas no sertão alagoano.

Para Cíntia Regina Ribeiro, representante e uma das organizadoras do Fala, Bolacheira!, um dos pontos centrais da discussão é a necessidade de registrar orientação sexual e identidade de gênero nos atendimentos relacionados a situações de violência.

Segundo ela, a ausência dessas informações dificulta a produção de dados capazes de revelar a dimensão da violência sofrida por mulheres lésbicas e pessoas LGBTQIA+.

Cíntia ressaltou ainda que a falta de registros específicos também pode comprometer a formulação de políticas públicas.

A representante do movimento defendeu que a sensibilização dos profissionais de saúde pode ser um primeiro passo para enfrentar a invisibilidade e aprimorar o atendimento.

A proposta discutida durante a reunião é construir, de forma conjunta, estratégias de formação e conscientização que contribuam para práticas mais inclusivas nos serviços de saúde.

Também participou do encontro a museóloga e mestra em Literatura Cármen Lúcia Dantas.

Fonte: 7Segundos Maceió