Split payment da Reforma Tributária muda caixa de pequenas empresas
Mecanismo separa o IBS e a CBS na liquidação da venda e reduz o valor que entra no caixa das empresas
12 de setembro de 2026 às 10:39

A Reforma Tributária traz o split payment, mecanismo que separa os valores do IBS e da CBS no momento da liquidação financeira da venda. A mudança deve alterar a disponibilidade de caixa das empresas e coloca capital de giro, estoques, prazos de recebimento e formação de preços no centro do planejamento das pequenas empresas.
Hoje, recursos referentes aos tributos podem ficar temporariamente no caixa antes do recolhimento. Com o split payment, esses valores deixam de estar disponíveis da mesma forma.
Empresas com ciclos financeiros mais longos ou que mantêm valores elevados imobilizados em mercadorias precisam fazer uma análise mais ampla da operação.
"O split payment altera a mecânica financeira dos tributos. Em vez de a empresa receber integralmente o valor da venda e recolher o imposto posteriormente, a parcela correspondente ao IBS e à CBS poderá ser segregada durante a liquidação financeira da operação. Na prática, isso reduz o valor que efetivamente entra no caixa naquele momento", afirma Anderson Diogenes Pavanello, CEO do Meu Contador Online.
"O dinheiro que antes passava pela empresa, ainda que temporariamente, poderá não passar mais", diz Pavanello. Segundo ele, isso obriga o empresário a olhar com mais atenção para capital de giro, formação de preços, prazo concedido aos clientes, negociação com fornecedores e gestão de estoques.
"Estoque é dinheiro parado", afirma o CEO do Meu Contador Online. Segundo ele, uma empresa pode apresentar lucro contabilmente, mas ter dificuldade de caixa porque parte relevante dos recursos está imobilizada em mercadorias de baixo giro.
Com o split payment, esse tipo de ineficiência tende a ficar mais evidente. Comprar em excesso, manter estoque desnecessário ou financiar um ciclo operacional muito longo passa a ter custo financeiro maior.
A empresa terá de entender quanto compra, quanto vende, em quanto tempo gira o estoque e em que momento recebe pelas vendas.
"A Reforma Tributária, portanto, não será apenas uma discussão sobre alíquotas. Ela vai exigir uma gestão mais integrada entre tributação, caixa, estoque, compras, preços, recebimentos e pagamentos. E o caixa sente aquilo que a contabilidade, sozinha, nem sempre consegue contar", afirma Pavanello.
A relação entre tributação e estoque ganha importância porque o dinheiro usado para comprar mercadoria fica imobilizado até a venda e o efetivo recebimento do pagamento. Quanto maior esse intervalo, maior a necessidade de recursos para sustentar a operação.
Para o pequeno empresário, a preparação para a Reforma não deve ficar restrita ao contador ou à análise das novas alíquotas. Compras, vendas e financeiro precisam estar conectados para que a empresa conheça o ciclo operacional e antecipe necessidades de caixa.
Empresas do comércio, por exemplo, podem precisar observar com mais atenção produtos de baixo giro, volume de compras, prazo negociado com fornecedores e condições oferecidas aos clientes. Uma decisão comercial que aumenta vendas, mas alonga o recebimento ou exige estoque elevado, pode pressionar o caixa.
O tema faz parte da preparação que o Meu Contador Online vem estruturando para sua carteira. A empresa tem 3.943 clientes no Simples Nacional e orienta os empresários a analisar os impactos da Reforma de acordo com as características de cada negócio.
A avaliação leva em conta faturamento, margem, folha de pagamento, perfil de clientes e fornecedores, capacidade de geração de créditos, capital de giro e características da operação. A orientação da empresa é evitar decisões baseadas somente na comparação entre percentuais de impostos.
O cenário reforça a necessidade de as empresas organizarem informações financeiras antes da entrada das novas regras. Conhecer o prazo médio de recebimento, o tempo de permanência das mercadorias em estoque, as condições negociadas com fornecedores e a necessidade mensal de capital de giro passa a fazer parte dessa preparação.
Para o Meu Contador Online, a Reforma Tributária tende a aproximar contabilidade e gestão financeira, áreas que muitas pequenas empresas administram separadamente. A compreensão do efeito dos tributos sobre o dinheiro disponível deve fazer parte das decisões empresariais no novo modelo.
Com origem na tradição contábil iniciada em 1966, em Santo André (SP), o Meu Contador Online tem cerca de 4,7 mil clientes ativos, distribuídos por 558 municípios de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal. A empresa tem cerca de 80 profissionais e atende principalmente micro e pequenas empresas, sendo 84,4% da carteira formada por optantes do Simples Nacional.